JULGUEM MENOS OS PAIS

Luísa completou um ano e sete meses, e um novo enigma da humanidade foi revelado para mim e para minha esposa: como uma criança consegue dormir 5 minutos e ter energia para 5 horas e nós, pais, dormimos 5 horas (quando dá) e mal conseguimos repor as energias para aguentarmos 5 minutos? Que matemática maluca é essa?

Por que construirmos hidrelétricas, usinas nucleares e investimos fortunas em energias renováveis se temos uma fonte de energia de outro planeta diante dos nossos olhos? Pedindo para ser estudada e explorada!

Lembro que antes de me tornar pai, às vezes eu me deparava com uma criança correndo pelo supermercado, o pai xingando ela de um lado, a mãe descabelada berrando do outro e todo mundo julgando aquele casal: “Ahhh se fosse o meu filho!”. Quem nunca? A verdade é que o mundo dá voltas e todo mundo está sujeito a queimar a língua. E como queimamos, pode ter certeza. Queimamos muito!

Principalmente nessa fase que os filhos estão mega agitados e precisamos de alternativas para acalmá-lo. Eu mesmo, já falei várias vezes: “Minha filha NÃO vai assistir TV antes dos dois anos”. Capaz mesmo! Mundo Bita é salvação!

Hoje quando vejo um pai ou uma mãe, por muitas vezes nos cumprimentamos através de olhares, até porque o restante do corpo não tem forças para se comunicar. Mas a gente se entende, sabemos das angústias, dos desafios, das coisas que abrimos mão, dos perrengues e dos momentos mágicos que aparecem para mostrar que nada é tão ruim quanto parece.

Aos que não têm filhos, sei que é muito difícil não julgar, coça a garganta, está enraizado na nossa cultura. Mas pode acreditar, um olhar sem julgamentos já vai fazer uma grande diferença na vida desses pais, que naquele momento não estão apenas educando um filho, mas sim, enfrentando a grande barra que é se redescobrir como seres humanos a cada dia.

#menosjulgamentos.

Vou ter que finalizar esse texto por aqui, porque a Luísa começou pular no sofá e não quero ver essas energia toda se expressando em forma de choro daqui a pouco.
Bom final de semana.

Por Fernando Strombeck

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