QUANDO A LULU COCHILA NO CARRO

Coloquei a Lulu no carro, andamos 100 metros e logo ela “desmaiou”. Quem nunca? Tem dias que essa é a única forma de fazer a Luísa dormir. Não sei que bruxaria essas empresas de carros fazem, ou qual é a engenharia de outro planeta utilizada. A Luísa pode relutar, fazer bico, brigar com o sono, mas bastou ela entrar no carro que a mágica vai tomando conta daquela pequena guerreira. Os bracinhos amolecem, ela solta o que tiver segurando, a cabeça repousa de lado e ploft! Ford Win!

Como tudo tem um lado bom e ruim, algumas vezes, quando chegamos em nosso destino, precisamos esperar um bom tempo ela acordar.

Mas ok, dito e feito. Lá estava eu no parque, deitado no banco e aguardando a bela adormecida despertar. Aproveitei para observar um pouco a minha filha, tentando imaginar como seria ela daqui alguns anos. Será que ela vai ser alta? Será que ela vai continuar com os cabelos enroladinhos. Olhei para o nariz dela e fiquei imaginando aquele nariz um pouco mais velho. Será que ela vai querer colocar um piercing nele? Vi também que de bem perto, dava pra observar um pelinhos nos seus braços. Uma marquinha vermelha perto de uma das dobrinhas do pescoço. Uma pintinha no calcanhar. Foi quase um exercício de meditação, um momento sublime, um momento que demorou a passar.

Eis que uma bola atinge fortemente o vidro do carro e a Luísa acorda chorando. Daí em diante, a única coisa que eu conseguia observar era aquele momento de calmaria indo pelos ares.

Ser pai/mãe é isso: diariamente vivenciar os extremos dos nossos sentimentos em frações de segundos.

Bom final de semana e nunca deixem de olharem para os seus filhos.

Por Fernando Strombeck

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