LUÍSA ANDOU, A GENTE SURTOU

Eu sempre ouvia amigos dando spoilers, tipo: “Cansado? Espera só a sua filha começar a andar!”. Eu achava esses comentários exagerados, afinal de contas, com a minha filha andando, os meus braços ganhariam folga! Não ia mais precisar carregar a Lulu no colo, ela ia ganhar autonomia e a paz tomaria conta de nossas vidas. Rááá! O grande dia chegou. Minha filha deu os primeiros passinhos e, em poucas horas, bateu uma saudade imensa da época que ela apenas engatinhava.

Primeiro, a minha filha não se contenta em apenas andar, ela quer correr, andar para trás, fazer curvas e se jogar nas coisas. Segue uma retrospectiva de frases mais usadas aqui em casa nas últimas horas:

[ Luísa andou ]
– Aiinn, que lindo, filha! Parabéns! Que felicidade!
[ 1 hora depois ]
– Ahh, que coisa mais linda. Deixa eu filmar pra mandar pra vovó!
[ 2 horas depois ]
– Vem aqui até o papai! Vem devagar, filha. Devagar… devagar!
[ 3 horas depois ]
– Filha, senta um pouco pra descansar. Por favor, filha…
[ 6 horas depois ]
– Ai meu Deuuuus! Cuidado Luísa! Devagar filha, por favor…
[ 8 horas depois ]
– Luísa, não é hora de andar, é hora de jantar, filha… Filha, volta aqui.
[ 10 horas depois ]

– Amor, não é normal isso, trocaram a nossa filha, não é possível!

Daí você pensa: “Ahhh, mas assim é bom que ela cansa rápido e dorme mais”. Não! Sabe quando você esperava o natal para ganhar um presente novo e, quando ganhava, queria brincar 24 horas por dia? É isso que está rolando por aqui. E a minha filha decidiu experimentar todos os recursos desse novo brinquedo, que é andar, ao mesmo tempo.

Para nós, pais, é um choque muito grande de sentimentos. Ao mesmo tempo que estamos pirando com essas mudanças, estamos também bem emocionados e em êxtase com essa nova fase. A minha filha está crescendo. Cada sorriso da Lulu depois de alguns passinhos e aquele abraço no final de uma corridinha em nossa direção, alimentam um pouco as nossas baterias para sobrevivermos mais algumas horas. E assim seguimos as nossas vidas de pais, cansados, felizes e descobrindo sentimentos que nem imaginávamos que existissem. Agora vou parar de escrever e correr atrás da Luísa, que acaba de sair correndo pra fora do meu raio de visão.

Por Fernando Strombeck