ESSA CRIANÇA NÃO TEM MÃE NÃO?

Logo que a Luísa nasceu, ouvi um amigo comentar: “Curta bastante essa fase que logo você vai sentir saudades”. Pois é, já sinto saudades da minha filha bebezinha, tão inofensiva e serena. Sinto saudades principalmente da época que ela não ficava acordada até tarde tocando o terror na gente e virando a casa de pernas para o ar. Sério, tem dias que parece que alguém injetou cinco Red Bulls na veia da minha filha. Acho que os cientistas deveriam criar uma forma da gente extrair toda essa energia, armazenar e reaproveitar de alguma forma. Não existem meios de gerar energia através dos raios solares? Com certeza filhos pequenos são bem mais potentes.

Ontem, enquanto a Luísa batia e amassava as poucas panelas que sobraram do chá de cozinha, minha sogra comentou com a minha esposa:

– Daqui a pouco a vizinha vem reclamar: “Nossa, que barulheira, essa criança não tem mãe não?”.

Claro que a vizinha não apareceu, mas eu gostaria muito de saber o que se passa na cabeça de uma mãe ao receber esse comentário por aí. Ajudem-me:

A) Não tem mãe! Morreu!
B) Tem! Tem pai também!
C) Sabe o que tem? Tem tapa na sua cara.
D) Um … dois …. três … respira.
E) Todas as alternativas ao mesmo tempo.

Engraçado que nunca escutamos: “Nossa, essa criança não tem pai não?”. É uma frase que já está enraizada de alguma forma e que nós, pais ativos, estamos tentando mudar. Vai demorar um pouco para o mundo entender que o papel de educar, criar e passar valores para um filho não é só da mãe. O pai é tão importante e responsável para o filho quanto a mãe, em tudo. Vale a reflexão sobre o tema, pelo menos para a gente começar a mudar um pouco esse olhar para a educação dos nossos filhos.

Depois de discutir esse tema com a minha sogra e a minha esposa, enquanto a Luísa passava por mais um pico energético, nem preciso falar como terminamos a noite. Minha esposa resmungava estirada no canto do sofá: “Essa menina não tem pai não?”. Eu respondia destruído no tapete: “Essa menina não tem vó não?”. Minha sogra cochilando abraçada com a cortina: “Essa criança não tem mãe não?”. E esse ciclo seguiu até a Luísa finalmente cansar e dormir. A verdade é que a criança tem tudo, só não tem dó da gente, com certeza.

Por Fernando Strombeck