TODOS OS PAIS MERECEM UM “VALE COCHILO”

Antes da Luísa nascer, uma das atividades mais prazerosas aos domingos, era um cochilinho à tarde no sofá. Bom demais, não? Eu ficava horas abraçadinho com a minha esposa. Pois é, depois que a minha filha nasceu, nunca mais isso foi possível. Se eu durmo, corro o risco de acordar gritando de dor com a Luísa pendurada na minha barba. Ou com o corpo de bombeiros batendo em nossa porta. Os horários de cochilos da Luísa ainda estão confusos. Ela é boazinha, mas tem dias que baixa o caboclo terrorista nela que não dá pra desviar o olhar nem por um segundo.

No domingo passado, comovida, a minha sogra nos ofereceu um “Vale Tarde” e ficou olhando a Luísa por algumas horas. Show! Depois de nove meses, pela primeira vez, eu e a minha esposa saímos sozinhos rumo ao shopping em pleno domingo à tarde. Durante o café, só falamos da Luísa. Compramos roupas para a Luísa. Olhamos coisas para o aniversário da Luísa. No cinema, mandamos mensagens para saber se estava tudo bem com a Luísa. Acabou o filme e voltamos correndo pra casa ver a Luísa. Não adianta, é impossível desconectar desse serzinho. Talvez a gente precise de mais alguns vales tardes para retomarmos a normalidade, se é que isso é possível.

Já decidimos, no próximo vale tarde vamos dormir como se não houvesse amanhã. Acho que todos os pais merecem um “Vale Cochilo” às vezes. Poderia existir um “Bolsa Cochilo”, onde o Governo paga uma babá para os pais descansarem. Show! Fica essa dica para os candidatos na próxima eleição. Se bem que é capaz da gente dormir e sonhar com os nossos filhos. Certeza. Mas faz parte, dias de luta, dias de glória e seguimos nossas aventuras de pais de primeira viagem =)

Por Fernando Strombeck

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